A
DOUTRINA ESOTÉRICA MÓRMON DO BATISMO PELOS MORTOS
Por:
Roger D. Lanius
Muitos
já se perguntaram sobre isso [essa doutrina] em Washington,
DC, uma vez ou outra enquanto dirigiam pela [estrada] Beltway e viram
o Templo mórmon aparecendo diante de nós como a Cidade
Esmeralda, fora de Oz. O que os mórmons fazem lá? Eles
estão dispostos a falar publicamente, embora dêem poucos
detalhes, sobre apenas dois rituais (embora existam outros rituais
que também são realizados lá) que eles praticam
lá. O primeiro é o casamento eterno, não apenas
“até a morte vos separe”, mas também por “toda a
eternidade”. Não sei bem o que você pensa dessa idéia,
mas com base na minha experiência passada em permanecer com uma
esposa pela eternidade parece mais com o inferno do que quase
qualquer outra coisa que eu possa pensar. O segundo ritual do templo
sobre o qual eles falam é o batismo pelos mortos. É
isso que quero discutir aqui.
Esta
é uma idéia esotérica, para dizer o mínimo.
O conceito de batismo pelos mortos surgiu durante o período de
Nauvoo da Igreja primitiva de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos
Dias, na década de 1840, em resposta a vários
desenvolvimentos na vida de Joseph Smith Jr. e no movimento que ele
fundou. Predicada na dupla suposição de que Deus ama
todas as pessoas e concede a cada uma oportunidade de salvação,
e que a salvação não pode ser concedida sem o
batismo, a doutrina previa o batismo de pessoas mortas por
procuração. Aqueles que morreram sem aceitar o
evangelho seriam ensinados após a morte, e outros poderiam ser
batizados na Terra em seu lugar.
O
batismo pelos mortos era um conceito extremamente atraente para
muitos santos dos últimos dias, porque permitia a salvação
de todos e significava a justiça e a misericórdia de
Deus. Ele respondeu à pergunta fundamental do que aconteceria
àqueles que não abraçaram o evangelho como os
primeiros mórmons o entenderam, principalmente os ancestrais
que já estavam mortos. Essa preocupação foi
registrada pelos membros da família Smith, pela alma de Alvin
Smith, o filho mais velho que morreu repentinamente em 1823 sem
batismo em nenhuma denominação cristã.
Os
anos de controvérsia e turbulência que assolaram a
igreja Mórmon desde suas origens em 1830, bem como os
problemas psicológicos concomitantes que surgiram na época
do assentamento da igreja em Nauvoo em 1839, também serviram
para tornar a questão atraente para a igreja. A preocupação
dos santos em compreender a natureza do futuro, particularmente como
revelada em passagens obscuras das escrituras, também levou a
sua pronta aceitação. Como observou o historiador
Richard P. Howard:
“Todos
esses desenvolvimentos - a tristeza da família Smith por
Alvin, a intensa perseguição dos santos, as propensões
teológicas especulativas da liderança da igreja -
produziram um ambiente no qual o batismo pelos mortos entrou em foco
como um meio de selar os ancestrais e parentes dos falecidos aos
santos vivos nas promessas do reino Mórmon (glória
celestial).”
Ele
fez a primeira divulgação pública da doutrina do
batismo pelos mortos em 15 de agosto de 1840, em Nauvoo, no sermão
de Seymour Brunson. Uma testemunha ocular, Simon Baker, relembrou a
ocasião, comentando que Joseph Smith Jr. disse à
congregação que, embora o batismo fosse necessário
para a salvação, "agora as pessoas poderiam agir
pelos amigos que partiram desta vida e que o plano de salvação
foi calculado para salvar todos os que estavam dispostos a obedecer
aos requisitos da lei de Deus.” Na conferência de outubro de
1840, Smith instruiu seus seguidores em Nauvoo a praticar o batismo
pelos mortos, por um tempo no rio Mississippi, nas proximidades, mas
mais apropriadamente em um templo projetado [futuramente] na cidade.
Após
essas ações, os mórmons de Nauvoo começaram
entusiasticamente a incorporar a doutrina em seu sistema de crenças.
A prática, depois disso, foi formalizada na igreja por meio de
uma revelação datada de 19 de janeiro de 1841. Este
edito, escrito por Smith como uma declaração da vontade
de Deus, foi incluído na edição de 1844 de
Doutrina e Convênios, juntamente com duas cartas de 1842 sobre
o mesmo assunto. A prática, com esta instrução
reveladora indiscutível, foi codificada como um ritual do
templo dentro da religião mórmon e reconhecida como tal
por aqueles em Nauvoo. Não há dúvida sobre o
lugar importante que Smith e os membros da igreja primitiva
designaram para a teologia da igreja.
Esta
posição não tem sido oficialmente alterada até
hoje. Mas a posição oficial da igreja [RLDS] conta
menos da metade da história, pois houve um caminho torturante
traçado pelo movimento nos últimos cem anos, ao tentar
lidar com o legado do batismo pelos mortos. Passando de uma aceitação
geral do batismo pelos mortos - uma posição que o
reconheceu como um rito permissivo, mas legítimo, a ser
executado no redirecionamento específico de Deus - a
Reorganização (renomeada a Comunidade de Cristo em
2000) começou a se mover para mais longe da doutrina com o
passar do tempo.
Essa
foi uma deriva gradual e sutil do que não estavam aparente
para os que estavam no meio dela. A mudança continuou até
o presente, e agora suspeito que, embora ainda exista algum apoio
modesto à doutrina, a esmagadora maioria dos membros da
Comunidade de Cristo não a aceita mais, mesmo teoricamente, o
batismo pelos mortos. O processo evolutivo em direção à
rejeição do batismo pelos mortos já foi
praticamente concluído. A liderança da igreja sugeria
continuamente que o batismo pelos mortos só poderia ser
realizado por orientação divina em um templo construído
explicitamente para esse fim. A doutrina foi desviada para uma terra
inferior entre crença e prática. Ignorar, como observou
apropriadamente o historiador Alma R. Blair, foi finalmente rejeitar.
[Artigo
traduzido do blog oficial do autor:
https://launiusr.wordpress.com/2016/04/25/the-esoteric-mormon-doctrine-of-baptism-for-the-dead/
]
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