COMENTÁRIOS SOBRE O FILME O LUTADOR PREGADOR


Por: Rafael Silva

Nesse ano de 2019 a igreja SUD lançou o filme “O Lutador Pregador” (The Fight Preacher, em tradução livre, já que não foi oficialmente lançado em português, apesar de se encontrar o mesmo legendado na internet) contando um pouco da história do boxeador e membro da igreja Willard W. Bean (1868 – 1949) durante sua última missão para a igreja entre fevereiro de 1915 e março de 1939, na qual cuidou como caseiro da recém comprada casa e fazenda de Joseph Smith (1805 – 1844) em Palmyra, NY. Nesse post de hoje nós faremos um comparativo entre o que tem no filme e o que aconteceu de históricamente na vida de Willard Bean e sua família. Pedimos para que antes de continuar a ler essa postagem , para melhor entendimento, que se veja o filme.

Sobre Willard Bean

Willard nasceu em Provo, Utah, em 16 de maio de 1868 filho de mórmons que ainda praticavam a poligamia, por isso ele fora o sétimo de 10 filhos que seu pai teve com sua mãe. Em 1875, quando ele estava com 7 anos seus pais e ele se mudaram para o condado de Sevier, onde viveram bem próximos a vila de Richfield. Em janeiro de 1893, com então 24 anos, ele foi chamado para sua primeira missão nos estados do sul, passando principalmente pela Geórgia. Nessa missão ele atuou ao lado do futuro presidente da igreja George A. Smith (1870 – 1951), e essa sua primeira missão terminou em abril de 1895. Sua segunda missão se deu de agosto de 1897 até possivelmente no final do ano de 1898, as fontes não indicam quando terminou essa sua segunda missão, que foi no estado da Califórnia, porém como seu primeiro casamento se deu em 03 de maio de 1899, ou seja, logo no início daquele ano, nos leva a acreditar que sua missão foi até o final do ano anterior. Nesse dia ele se casou com Gussie Dee, casamento que duraria 9 anos, pois se divorciariam em agosto de 1908, e nesse casamento eles tiveram 2 filhos juntos.

Sua carreira no boxe começou em 1894, quando ainda estava no colégio, e em setembro de 1897 teve sua primeira luta importante, onde acabou perdendo por pontos. Em 1905 ele se sagrou campeão mundial do peso Meio-Pesado, que aliais essa sua luta pelo título é o ponto de partida do novo filme lançado pela a igreja. Em 18 de setembro de 1914 ele se casou com sua segunda esposa, Rebbeca, com quem teve 4 filhos, sendo que os dois mais velhos aparecem no filme, sendo que a mais velha, Palmyra Bean Packer (1915 – 2008) estava viva até pouco tempo atrás. Agora começaremos com a mistura das partes que o filme conversa com a história porém também se mantém na liberdade poética da sétima arte.

Em 1907 a igreja SUD, presidida por Joseph F. Smith (1838 – 1918), sobrinho do fundador da igreja, Joseph Smith, comprou a fazenda que pertencera aos Smith em Palmyra, NY, sem ainda porém ter o Monte Cumôra, cujo dono não queria vender. Assim em 1915, após uma reunião de estaca em Salt Lake, o próprio Joseph F. Smith chama Willard Bean e sua esposa Rebbeca para serem o caseiro desta fazenda, e eles partem para o estado de Nova Iorque e chegam a fazenda em 16 de fevereiro de 1915.

O filme se concentra muito em mostrar o quanto a família Bean foi hostilizada por outros moradores da cidade praticamente do momento que chegaram até o início dos anos de 1930, quando eles começaram a formar os primeiros ramos da igreja no local. Em suma os primeiros ramos locais já começaram na década anterior, fruto do trabalho do próprio Bean no local. Muitas vezes no filme aparecem pessoas falando “nós os expulsamos daqui a 80 anos” ou mesmo “nenhum mórmon pisará aqui novamente”, porém sabe-se que a hostilização não fora tanta assim, pois esses habitantes nem eram vivos quando os Smith moravam por ali, e o que os fez sair nem foi tanto o fato de serem expulsos do estado, mas as novas oportunidades que se abriam em Kirtland, tanto que, como dito, no caso, não foi tanto impecílio Bean pregar no local e até a data de sua partida ter formado cerca de 3 ramos da igreja no local.

Outro erro histórico notado por mim no filme é um momento no qual aparecem 4 missionários que estavam voltando de suas missões e passam na casa dos Bean's para visitar o local e o Bosque Sagrado, e um desse missionários é o futuro presidente da igreja Gordon B. Hinckley (1910 – 2008). Como esse fato aparece com a pequena Palmyra os atendendo, e com a mesma com menos de 10 anos de idade, faz com que a cena tenha ocorrido em cerca do ano de 1923 a 1925, fazendo com que a mesma note-se claramente que não ocorreu, pois em 1925 Hinckley tinha apenas 15 anos de idade e ainda não tinha servido missão, pois sua missão se deu entre 1933 e 1935, ou seja, 10 anos após o citado.

Outro fato que não condiz tanto com a história é mostrado quando Willard vai tentar mostrar pela primeira vez o Monte Cumôra para sua esposa e quando lá chegam são expulsos pelo dono do local que, até sua morte, não permite que mórmons pisem no local, que, de acordo com o filme só vai acontecer nos fins da década de 1920. Porém existem fotos do próprio Bean e outros missionários no monte anteriores a 1917, mostrando que não era tão difícil chegar ao local e ali ficar.

Willard Bean e sua esposa foram desobrigados de sua missão em 25 de março de 1939 após cerca de 24 anos servindo naquela missão, e praticamente depois de ter estabelecido a igreja no local, e partiram de volta para Utah. Willard nunca mais voltou a Palmyra, e morreu em 25 de setembro de 1949. Já sua esposa viveu ainda até a década de 1970, porém também não retornou ao local. O filme tem uma liberdade poética muito grande ao tratar do assunto e mostra isso muito bem e fica claro nos três pontos citados, ou seja, mesmo sendo erros históricos isso se mostra essencial para se formar a dramatização e dar emoção ao filme, por tal é um filme muito bom que vale a pena ser visto.






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