Não, os Mórmons
Polígamos do México não Fazem Parte da Igreja de
Ervil LeBaron
Por: Lindsay
Hansen Park
Traduzido por: Rafael
Silva
Os [norte]americanos
que captaram a maior parte de suas idéias sobre os mórmons
no musical "O Livro de Mórmon" e na carreira
presidencial de Mitt Romney não esperavam as manchetes desta
semana sobre cartéis de drogas que combatem enclaves
poligâmicos em pequenas cidades agrícolas nas fronteiras
do norte do México.
Para ser justo, nem
mesmo os mórmons mais proféticos, como Brigham Young,
que se interessou pela colonização mórmon
mexicana há mais de 170 anos, poderiam ter imaginado uma
manchete como essa.
As notícias
recentes sobre o massacre de nove pessoas com dupla cidadania,
estadosunidense e mexicana, de comunidades mórmons nas mãos
de cartéis em guerra têm feito todo mundo se perguntar:
"Quem são esses polígamos mórmons brancos
no México?"
E aqui está uma
coisa que eles não são: eles não são
membros da Igreja do Primogênito do Cordeiro de Deus, de Ervil
LeBaron, que ficou famoso na imaginação popular do
jornalista Jon Krakauer em seu livro de 2003, "Under the
Banner of Heaven" (Sob a Bandeira do Paraíso).
Embora muitas famílias
nas colônias compartilhem o sobrenome "LeBaron", elas
provavelmente não têm associação com o
grupo de Ervil, a maioria das quais nunca o conheceram ou
interagiram.
Eles têm um
ancestral comum com Alma Dayer LeBaron Sr., um mórmon que foi
excomungado da Igreja SUD em 1924 por continuar praticando a
poligamia, que os santos de Utah oficialmente rejeitaram em 1890.
Viajando de Utah para
seu rancho no México, que ele batizou de "Colonia Le
Barón", Alma passou a maior parte de sua vida
comprometido com sua fé mórmon e explorando novos
caminhos para a autoridade além da Igreja SUD. Suas idéias
foram herdadas por seus sete filhos, que permaneceram nas colônias
mexicanas. Seu filho mais fanático, Ervil, começou sua
própria seita no início dos anos 1970.
Ervil morreu numa
prisão em Utah em 16 de agosto 1981, mas seus seguidores
continuaram a perseguir nomes em sua lista infame. As famílias
que permaneceram nas colônias mexicanas tiveram que enfrentar
ameaças dos seguidores de Ervil até que a lista
supostamente "morresse" por volta de 2013.
Muitos dos cidadãos
das colônias mórmons são membros de uma variedade
de diferentes igrejas mórmons, a Igreja de Jesus Cristo dos
Santos dos Últimos Dias [é uma delas e se mantém]
de forma independente dos polígamos mórmons. Algumas
[de outras igrejas] praticam o casamento plural e outras acreditam no
princípio, mas não o praticam, embora todas [menos a
SUD] eles traçam sua presença no México a ele [a
Alma LeBaron].
Em resposta à
violência que os cercavam, as famílias aprenderam a
cooperar para se proteger. Embora a posse de armas seja tipicamente
ilegal para a maioria dos cidadãos mexicanos, os grupos
estabeleceram acordos com autoridades locais que lhes permitem
defender suas comunidades.
Os limites dessas
proteções atingiram o limite em 2009, quando famílias
mórmons com o mesmo nome de LeBaron foram atacadas por cartéis
de drogas. Várias tentativas de seqüestro de membros do
cartel para pedir por resgate acabaram levando ao espancamento e
morte brutais de Benjamin LeBaron, um ativista determinado a
trabalhar com os funcionários do governo para proteger sua
comunidade.
Os mórmons que
habitam a área cultivam grandes pomares de nozes e frutas por
gerações. Essas fazendas são lucrativas e bem
organizadas. Por causa de seu sucesso e proximidade com a fronteira,
eles se tornaram alvo de táticas no estilo de guerrilha,
combatendo os traficantes de drogas na região. Muitos membros
adultos da família nas colônias denunciaram publicamente
as táticas do cartel e se recusaram a se submeter a extorsão
e assédio.
É provavelmente
por isso que três mulheres inocentes e seis de seus filhos
foram atacados e mortos a tiros, seus assentos de carro cheios de
buracos de bala na segunda-feira (4 de novembro), enquanto os
indivíduos viajavam para um casamento em família.
A dura realidade para a
maioria das pessoas tocadas de perto por essa tragédia é
que elas são famílias mórmons, esforçando-se
para viver sua religião em silêncio, com pouca ajuda das
comunidades que as cercam. São pessoas cujas convicções
estão profundamente arraigadas e optaram por lutar pelas
terras pelas quais sacrificaram arduamente, independentemente do
custo. Nesta semana, o custo foi alto e horripilante.
(Lindsay Hansen Park é
diretora executiva da Sunstone e apresentadora do podcast
“Year of Polygamy”. As opiniões expressas neste
comentário não refletem necessariamente as do Religion
News Service.)
Artigo traduzido de:
https://religionnews.com/2019/11/07/no-the-mormon-polygamists-in-mexico-are-not-part-of-ervil-lebarons-church/
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