Por:
Rafael Silva
Para
que possamos falar futuramente sobre as igrejas reorganizadas (no
plural pois mais de uma se diz a continuidade da reorganização),
resolvi escrever aqui sobre a história da Igreja Reorganizada
de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, atual Comunidade
de Cristo, a fim de não precisar ficar explicando algumas
coisas quando formos falar sobre cada uma das igrejas que surgem
deste movimento. Já falamos aqui de uma de suas filhas que foi
a igreja de Richard C. Evans, e voltaremos a falar sobre ela quando
falarmos do início do século XX, porém não
nos aprofundaremos na mesma pois já fizemos isso em sua
postagem em específico.
A
Crise de Sucessão
Joseph
Smith Jr (1805–1844), o funador da igreja, foi assassinado em
Carthage, Ilinois, em 27 de julho de 1844, e foi enterrado em Nauvoo
no dia 29. Quando Joseph Smith foi assassinado a maior parte dos doze
apóstolos estavam em missão, e o único membro da
primeira presidência restante, Sidney Rigdon (1793–1876),
estava afastado da igreja, então muitos se perguntavam quem
deveria assumir a liderança da igreja. Houveram muitos relatos
de pessoas que viram e ouviram Joseph Smith abençoado seu
filho mais velho, Joseph Smith III (1832–1914), mais de uma vez, e
a última nos fundos do templo ainda não acabado de
Nauvoo [1], para que o mesmo fosse seu sucessor, só que, na
época Joseph Smith III tinha apenas 12 anos. O primeiro a se
apresentar como sucessor de Smith foi Sidney Rigdon, que apesar de
afastado da igreja, estava mais próximo a Navoo, a sede da
igreja naqueles tempos, e convocou uma reunião para 03 de
agosto, onde nela, sem a presença da maioria dos doze
apóstolos, falou que a igreja deveria ter um guardião,
e que ele deveria ser esse guardião [2]. Algumas pessoas até
aceitaram a liderança de Rigdon, porém aconselharam ele
a fazer uma nova reunião na presença dos doze.
Entre
os dias 28 de julho e 05 de agosto de 1844 quem cuidou dos membros da
igreja em Nauvoo foi Willard Richards (1804–1854), um dos dois
apóstolos que estavam na cidade, e ele estava junto a Joseph
Smith na cadeia quando esse foi assassinado, o outro apóstolo,
que também estava na cadeia naquele dia e que também
ficou na cidade era John Taylor (1808–1887), mas em virtude de seus
ferimentos no dia do assassinato de Smith, o mesmo ficara em sua casa
descansando. Brigham Young (1801–1877), o presidente dos doze, e
alguns dos doze começaram a chegar no dia 06 de agosto.
No
dia 04 de agosto ainda, um domingo, Rigdon tentou falar aos membros
reunidos num bosque em Nauvoo voltando a pregar que ele deveria ser o
guardião da igreja devido ao fato de ele ser da primeira
presidência, porém poucos o aceitaram como tal, mas um
dos que o apoiou inicialmente foi William Marks (1792–1872), o
presidente da Estaca de Nauvoo, e no dia 05 de agosto os dois, Rigdon
e Marks foram a casa de Emma Smith, a esposa de Joseph Smith a fim de
tratar da nomeação de um curador para a igreja, a fim
de passar as propriedades da igreja para as mãos da família
de Smith, porém o apóstolo Parley P. Pratt (1807–1857),
ao ficar sabendo da reunião, se opôs totalmente a isso
pois acreditava que todos da igreja é que deveriam decidir
isso, e a proposta inicialmente encontrou a oposição da
maioria dos doze [2]. No mesmo dia a noite, Rigdon ainda tentou se
encontrar com os apóstolos que já estavam em Nauvoo,
tentando criar uma idéia de desunião entre eles, porém
isso foi rejeitado por todos.
No
dia 07 de agosto pela manhã quase todos os doze se reuniram na
casa de John Taylor pela manhã a fim de reafirmarem sua união
em prol da continuidade da igreja, alguns poucos apóstolos não
estavam presentes ali, dentre eles John E. Page (1799–1867) ,
William Smith (1811–1893), o irmão mais novo de Joseph
Smith, e William E. McLellin (1803–1883) que futuramente não
apoiariam a liderança de Brigham Young. Na tarde do mesmo dia
os apóstolos, o sumo sacerdócio e o conselho municipal
se reuniram a fim de debater sobre as alegações de
Rigdon, e na reunião Rigdon disse que teve uma visão de
Deus dizendo que ele deveria ser o guardião da igreja [3],
porém logo em seguida Brigham Young falou que os doze que
detinham todas as chaves do sacerdócio e marcou uma reunião
para o dia 13 para a igreja escolher quem sucederia Smith na
presidência.
Surge
James J. Strang
Apesar
da grande maioria ter apoiado Brigham Young como o novo líder
da igreja, Rigdon continuou afirmando que sua autoridade era maior do
que a dos doze, e conseguiu alguns seguidores. Rigdon foi excomungado
pelos doze em 08 de setembro de 1844 [2] e com seus seguidores ele
voltou para sua cidade natal, Pittsburgh, e fundou a Igreja de Cristo
(Church of Christ) no ano seguinte. Também apareceu um
recém converso chamado James J. Strang (1813–1856) pregando
ser o sucessor de Smith, e ele fora bem mais carismático e
criativo que Rigdon. Através de uma carta escrita por Smith
pedindo a Strang estabelecer uma estaca em Voore, no Wiscoussim, ele
começou a pregar que aquela carta o designava sucessor de
Smith, e também a pregar visões e revelações
o designando para o cargo de presidente da igreja. Apesar de ele
conseguir poucos seguidores ele conseguiu dois importantes naquele
momento, William Marks, Emma Smith e os três apóstolos
que não apoiaram Brigham Young.
William Marks abandonou a igreja de Strang em
1853 e se juntou a Zenas H. Gurley (1801–1871), um líder de
uma igreja que havia quebrado com Strang em 1852, Jason W. Briggs
(1821–1899), outro ex-líder strangnita que abandonara a
Strang devido a prática do casamento plural em 1853, e a
William W. Blair (1828–1896) que nunca havia se ligado a Strang mas
havia participado de outras 3 igrejas mórmons que surgiram na
década de 1850. Blair se uniu aos 3 anteriores em 1856.
Na
nossa próxima publicação falaremos do surgimento
da idéia de uma Igreja Reorganizada a partir de 1853 com a
união dessas 4 pessoas e de suas congregações.
BIBLIOGRAFIA
E REFERÊNCIAS
[1]
SMITH III, Joseph. History of the Reorganized Church of Jesus
Christ of Latter Day Saints. Volume 2. Lamoni, Iowa: Board of
Publication of the Reorganized Church. Capítulo 31. 1897.
[2]
História da Igreja na Plenitude dos Tempos. São
Paulo: Editora d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos
Dias. Capítulo 23, páginas 289 a 293. 1989.
[3]
ROBERTS, Brigham Henry. History of The Church of Jesus Christ of
Latter-day Saints. Volume 5. Salt Lake City: Deseret News.
Capítulo 85. 1932.
[4]
QUINN, Dennis Michael. The Mormon Hirearchy: Origins of Power.
Salt Lake City: Signature Books. Páginas 176 e 177. 1994.
[5]
FITZPATRICK,
Doyle C. The
King Strang Story: A Vindication of James J. Strang, the Beaver
Island Mormon King.
National
Heritage, p. 199. 1970.
Aqui no artigo fala só das disputa de sucessão e as igrejas mormom iniciais..
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